Pesquisador do Grupo CONECTICIDADE comenta sobre a tragédia em Brumadinho

Segue abaixo o texto do Prof. Dr. Moacyr E. A. da Graça, membro do CONECTICIDADE, Laboratório de Cidades, Tecnologia e Urbanismo do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (PRO – POLI-USP), sobre a tragédia ocorrida na cidade de Brumadinho (MG).

“A morte dos ativos!
A engenharia tem por finalidade criar soluções para a melhoria da qualidade de vida e produtividade das atividades humanas.
A ação da engenharia consiste em criar facilidades para a sociedade.
A materialização deste esforço acontece  com a produção de ativos para utilização nos mais diversos setores de atividade humana.
Exemplos são:
Ativos lineares: estradas, redes de água, redes de esgotos, galerias de águas, pluviais, redes elétricas, telefonia, etc..
Ativos verticais: indústrias, edifícios, centrais elétricas, , hospitais, escolas, centros esportivos,
Ativos móveis: mobiliário, equipamentos mecânicos, elétricos, eletrônicos, etc…
Tudo aquilo que se constrói passa por um período de vida que chamamos de ciclo de vida dos ativos.
As fases claras dos ciclos de vida são:
Identificação de necessidades, Concepção, Projeto, Industrialização, Operação e utilização e finalmente o Descarte.
Ocorre que temos observado que a origem dos acidentes ou desastres pode estar em qualquer uma destas fases.
Quanto mais distante do início, mais difícil se torna a identificação de responsabilidades.
A depreciação e obsolescência dos ativos requer muita atenção pois, à medida que o tempo passa, aumentam os riscos na fase de operação e manutenção.
A consequência da gestão inadequada e miopia na percepção da exaustão dos recursos físicos (usualmente por razões financeiras) pode ser nefasta.
Tanto quanto nós certos ativos perdem sua capacidade produtiva tornando-se em riscos reais e verdadeiros para os indivíduos e para a sociedade.
Ocorre que a Gestão do Ciclo de Vida dos ativos é uma atividade negligenciada em muitas organizações.
A postura reativa, não é a mais adequada e pode representar alto risco para sociedade, com perda de vidas e fortes impactos financeiros nas organizações.
Acidentes ocorrem por razões diversas e viver é assumir riscos.
Corremos riscos quando viajamos por estradas, quando tomamos água de redes públicas, quando nos alimentamos, etc..
A sociedade cria instrumentos capazes e eficazes para mitigação de riscos e é consciente da impossibilidade de elimina-los.
Os meios utilizados pela sociedade para se proteger destes riscos são: Legislação, Regulamentação, Normalização e Guias.
A falta de observância torna o infrator em responsável pelos danos e suas consequências.
Ocorre que tanto na gestão pública quanto no ambiente corporativo a gestão de ativos quanto a gestão de facilidades (*) tem sido negligenciada.
Exemplos claros são acidentes com pontes e viadutos, desabamentos, e ruptura de barragens com Mariana e Brumadinho.
A palavra que entendo como aplicável é falta de controle adequado dos ativos e facilidades de infraestrutura e corporativas.
Isto pode ser expresso por gestão inadequada dos ativos e dos complexos de ativos que denominamos facilidades construídas.
O mundo moderno tem tratado estes assunto de maneira mais profissional.  Expressão disto é a publicação recente das normas ISO 55.001: 2014 para Gestão de Ativos e ISO 41.001:2018 para Gerenciamento das facilidades construídas.
Tais atividades são internacionalmente conhecidas como Asset Management e Facility Management.
Entre estes existem inúmero instrumentos de apoio à melhoria da tomada de decisões relativas a ativos e facilidades.
Exemplo disto é o “Guidelines for retirement of dams and hydroelectric facilities” publicado em 1997 pela ASCE-Americam Society of Civil Engineers.
A Certificação Normativa é um dos instrumentos criado pela sociedade para a mitigação de riscos, aumento do controle e da colaboração para a segurança da sociedade e proteção do meio ambiente.
Que não tenhamos mais “acidentes” desta natureza no Brasil.
De nada adianta regulamentação sem efetiva utilização.
Precisamos ter profissionalismo em todos os setores.
O Brasil precisa aumentar o nível de maturidade de gestão pública e corporativa capacitando e profissionalizando as atividades desta natureza.
Chega de Marianas e Brumadinhos!
(*) Coleção de ativos construídos, instalados ou estabelecidos para atender propósitos de uma organização pública ou privada.”
Prof. Dr. Moacyr E. A. da Graça
Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
Departamento de Engenharia de Construção Civil

PRO na Mídia: Incubadora da USP ajuda trabalhadores informais a criar cooperativas

O Jornal da USP publicou uma reportagem sobre as atividades desenvolvidas pela Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da USP, projeto de extensão coordenado pelo professor Reinaldo Pacheco da Costa (PRO – Poli-USP). Segue abaixo um trecho do texto (para ler na íntegra, clique aqui).

“A história da lanchonete e do restaurante da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, em São Paulo, ajuda a contar como a economia solidária e a autogestão podem mudar a vida de trabalhadores. A cooperativa Monte Sinai Lanches é resultado de uma das primeiras ações da ITCP. A Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da USP é um projeto de extensão universitária que há 20 anos auxilia espaços e cooperativas, ensinando uma forma de produzir em que as pessoas, ao mesmo tempo, são trabalhadores e têm o capital.

O espaço de venda de alimentos para estudantes, professores, funcionários e visitantes da USP foi fechado pela antiga proprietária na semana do Natal, em 2002. Os funcionários ficaram surpreendidos e sem emprego. Um aluno da FAU indicou a incubadora para que eles se organizassem em uma cooperativa e continuassem o estabelecimento comercial. Assim nascia a Monte Sinai Lanches.

A ITCP foi criada em 1998, a partir de um grupo de estudos coordenado pelo professor Paul Singer, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, em São Paulo. Ela surgiu inicialmente para apoiar iniciativas dos moradores do bairro do Rio Pequeno.

“Os primeiros trabalhos foram no entorno da USP, como na comunidade São Remo e dentro dela, na Cooperativa Cooper Brilha e no restaurante Monte Sinai, na FAU”, explica Ana Luiza Laporte, doutoranda da Faculdade de Educação (FE) da USP e colaboradora da ITCP.

Hoje, o programa desenvolve projetos que orientam e acompanham grupos de diversos setores, a partir da educação popular e da multidisciplinaridade. O processo de “incubação” consiste na educação permanente, visando à autonomia e à emancipação dos grupos incubados, assim como ao desenvolvimento de novas relações de produção e de trabalho para os empreendimentos criados. Atualmente, o País conta com mais de 120 ITCPs.

Cada cooperativa e demais empreendimentos parceiros da ITCP da USP são acompanhados semanalmente por uma dupla de formadores específica. A visita pode ocorrer na sede da cooperativa, da associação de bairro, em reuniões de rede ou diversos outros lugares de acordo com cada caso. A dupla envolvida antes de ir ao campo se encontra em uma reunião também semanal para preparar as formações e atividades que irão realizar.

“Atualmente, nós fortalecemos, principalmente, pontos de economia solidária no Butantã. Mas temos um importante histórico de atuação na zona sul de São Paulo, no Campo Limpo, Capão Redondo, Jardim Ângela e Parelheiros”, conta o professor Reinaldo Pacheco da Costa, professor da Engenharia de Produção da Escola Politécnica (Poli) da USP e coordenador da ITCP.

A ITCP está ligada à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária. Assim como ocorreu com Ana Luzia, os integrantes são estudantes de graduação e pós-graduação que recebem bolsas, como Programa Unificado de Bolsas (PUB), Fusp, CNPq ou Finesp. Mas o papel da Universidade é limitado. “A maior parte do dinheiro que conseguimos é via projetos de política pública federal. A Universidade só nos dá o espaço”, explica o professor.”

POLI-USP realiza o 2º Workshop “Enhancing Relevance and Impact in Brazil for Research in Green Technology Management & Product Service Systems”

No dia 19 de fevereiro, será realizado, no Departamento de Engenharia de Produção (PRO) da POLI-USP, o segundo workshop “Enhancing Relevance and Impact in Brazil for Research in Green Technology Management & Product Service Systems – Evoluções das Pesquisas de 2016 a 2018”.

O objetivo deste evento, coordenado pelos Profs. Drs. Marly Monteiro (POLI-USP) e Breno Nunes (Aston University), é promover um novo espaço de discussões, para que os participantes da primeira edição, realizada em 2016, possam apresentar o desenvolvimento de seus estudos, nos últimos anos, na área em questão.

As apresentações do período da manhã serão abertas ao público e ocorrerão no Auditório do PRO (Sala D2-15). Para inscrições, clique aqui. Haverá também transmissão deste período no canal do PRO no YouTube (clique aqui).

Para mais informações: alvaro.marques@vanzolini.com.br.

Programação:

9h – 9h30: Abertura – Profs. Drs. Marly Monteiro de Carvalho e Breno Nunes

9h30 – 12h: Apresentações (15 minutos para cada participante, em português)
Aline Sacchi Homrich (EP-USP), André Leme Fleury (EP-USP), Eduardo Zancul (EP-USP), Glauco Mendes (UFSCar), Henrique Rozenfeld (EESC-USP), Janaina Costa (EESC-USP), Leonardo Augusto (FEA-USP), Marcus Pessoa (Universidade de Twente) e Sandra Morioka (UFPB)

Poli-USP abre inscrições de processo seletivo para Pós-Graduação em Engenharia de Produção (início das aulas: 2º quadrimestre de 2019)

PPGEP 2019 2QuadA Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) abre inscrições, de 01/02/19 a 01/03/19, para o processo seletivo de ingresso nos cursos de Mestrado e Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção (PPGEP) da Instituição (início das aulas: segundo quadrimestre de 2019). Com uma única área de concentração, o Programa possui cinco linhas de pesquisa: Economia da Produção e Engenharia Financeira (EPEF); Gestão de Operações e Logística (GOL); Gestão da Tecnologia da Informação (GTI); Qualidade e Engenharia do Produto (QEP); e Trabalho, Tecnologia e Organização (TTO).

O processo seletivo é dividido em duas fases eliminatórias. Na primeira, que acontecerá no dia 05 de abril de 2019, os alunos serão submetidos a um teste aplicado e avaliado pela Associação Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO). A segunda fase, que ocorrerá no dia 15 de maio de 2019, consiste em uma prova escrita e na avaliação do projeto de pesquisa dos candidatos pelos grupos de pesquisa do PPGEP.

Poderá ser dispensado da primeira fase o candidato que apresentar o resultado obtido nos certificados internacionais Graduate Management Admission Test (GMAT) e Graduate Record Examination (GRE). Informações adicionais sobre a proficiência em língua estrangeira, os requisitos exigidos para a consideração da nota destes exames, outras formas de dispensa das provas do processo e participação de candidatos de fora do Brasil estão disponíveis no edital.

Os alunos aprovados no Programa poderão pleitear bolsas oferecidas por agências de fomento, dependendo da disponibilidade dessas.

O resultado final será divulgado no dia 24 de maio de 2019, no site do PPGEP (ppgep.poli.usp.br). A data da matrícula será divulgada oportunamente no mesmo endereço.

Mais informações: http://ppgep.poli.usp.br/processo-seletivo

Edital: clique aqui