História

A primeira iniciativa para estabelecer um curso de Engenharia de Produção – então chamado de “Organizações Administrativas” ou de “Organizações Industriais” – na POLI  ocorreu em 21 de março de 1955.

Nessa data, o professor Ruy Aguiar da Silva Leme propôs a criação de um “curso de extensão para engenheiros formados que, já estando dentro da indústria, teriam maior capacidade de aproveitamento”. Conforme a proposta de Ruy Leme, partira de ex-alunos de Engenharia a solicitação de cursos adicionais no campo da Organização Industrial.

Fundador do curso, o professor Ruy Leme formou-se engenheiro civil pela POLI em 1948, ocupou cargo de professor assistente entre 1949 e 1953, e assumiu como professor interino em 1953. Em 1954, tornou-se livre-docente na Cadeira 19 – Economia Política, Estatística Aplicada e Organizações Administrativas – com a tese “Os extremos de amostras ocasionais e suas aplicações à Engenharia”.

Os primeiros cursos de extensão foram ministrados pelo próprio Ruy Leme, pelo engenheiro F. B. Harris, professor de Engenharia de Produção da Universidade de Michigan (que então trabalhava como professor na Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo), e por Leonard Hall,  professor de Finanças da Universidade de Michigan (que também estava trabalhando em São Paulo), estes últimos ligados ao programa norte-americano Ponto IV de apoio a projetos de desenvolvimento e modernização administrativa no Brasil.

Vários cursos de extensão foram ministrados, até que, em maio de 1958, por iniciativa de Ruy Leme, a Escola Politécnica aprovou a instalação, em nível de graduação, do curso de Engenharia de Produção como opção da Engenharia Mecânica, ao lado da opção Projeto. O curso teve início já no ano de 1959, e permaneceu como opção da Engenharia Mecânica até 1970. Assim, os alunos de Mecânica que estavam no terceiro ano em 1958 puderam optar por Projeto ou Produção.

A primeira turma

O ano de 1960 pode ser considerado um marco. Neste ano formou-se a primeira turma de engenheiros de produção da POLI/USP, com um total de 12 alunos entre os 37 engenheiros mecânicos formados.

O corpo docente do curso de Engenharia de Produção, nesta época, era uma combinação de engenheiros, principalmente civis, formados pela Escola Politécnica, de engenheiros químicos e, sobretudo, de engenheiros que já tinham experiência profissional nas áreas de administração e de engenharia nas indústrias de São Paulo. Muitos haviam ministrado cursos na POLI a partir de 1955, e muitos eram jovens recem-formados que haviam sido alunos do professor Ruy Leme nos cursos de Engenharia de Produção e Administração Industrial, entre 1955 e 1957.

Os primeiros professores do curso foram, além de Ruy Leme: Max Barcellos Corrêa, Américo Oswaldo Campiglia (os primeiros assistentes de Ruy Leme na Cadeira 19), Sergio Baptista Zaccarelli, Francisco Assis Oliva, Sergio Augusto Penna Kehl, Hans Link, Claus Leon Warschauer, Marcos Pontual e Silas Fonseca Redondo. 

A criação do Departamento

Em 1963, as disciplinas específicas do curso de Engenharia Mecânica, opção Produção, foram reunidas em um Departamento, seguindo uma mudança ocorrida na USP. Ainda em 1963, foram criadas as duas primeiras cátedras diretamente derivadas do curso de Engenharia de Produção, que juntamente com a Cadeira 19 formaram a base inicial para a criação do Departamento: as cátedras nº 47 e nº 48, respectivamente Organização da Produção e Planejamento da Produção.

Em 03 de abril de 1963, o professor Ruy Leme foi eleito o primeiro chefe do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

Entre 1959 e 1964, a graduação teve sede junto à Engenharia Naval, no edifício Paula Souza, no bairro do Bom Retiro, centro de São Paulo. Entretanto, no ano de 1965, a graduação em Engenharia Mecânica (modalidades Projeto e Produção) foi transferida para o campus da Cidade Universitária, juntamente com as engenharias Elétrica e Naval, e passou a funcionar num prédio projetado pelo arquiteto Ernest Roberto Carvalho Mange. 

A Primeira Semana de Engenharia de Produção  

Na metade da década de 1960, apesar de a Engenharia de Produção já estar consolidada como curso na Escola Politécnica, ainda não estava inteiramente estabelecida como área profissional.

A percepção de que algo deveria ser feito foi a principal motivação para a idealização da Primeira Semana de Engenharia de Produção, em 1965, que contribuiu para estreitar e consolidar a relação entre a universidade e o universo empresarial paulista.

Um dos resultados da Primeira Semana foi a criação da Fundação Carlos Alberto Vanzolini, em 1967, pelo grupo de professores do Departamento de Engenharia de Produção, liderados por Ruy Leme. A Fundação Vanzolini logo publicou o livro Contrôles da Produção, que trazia o conteúdo das palestras da Primeira Semana, e em 1968, começou a oferecer cursos semestrais de extensão e de aperfeiçoamento,  relacionados à Engenharia de Produção e à Administração de Empresas.

Graduação em Engenharia de Produção

Em 27 de novembro de 1970, a Congregação da Escola Politécnica da USP aprovou a criação de uma graduação autônoma em Engenharia de Produção, e assim, o curso deixou de ser uma “modalidade” da Engenharia Mecânica e passou a constituir uma carreira autônoma.

Entretanto, antes disso, desde 1968, o Departamento de Engenharia de Produção da POLI/USP já oferecia, regularmente, um curso de mestrado. Posteriormente, em 1972, o primeiro curso de doutorado foi implantado.

Em agosto de 1976, o decreto nº 78.319 concedeu reconhecimento ao curso de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.