Poli-USP e FGV criam disciplina de graduação em negócios tecnológicos

Na noite do dia 21 de maio, direção e professores da Escola Politécnica (Poli) da USP e da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) formalizaram a criação da disciplina de graduação “Criação de Negócios Tecnológicos”, na qual alunos das duas instituições têm aulas e realizam projetos em conjunto para estruturação de empreendimentos de base tecnológica. A iniciativa, pioneira no contexto de ambas as instituições, pretende fomentar o empreendedorismo tecnológico entre os alunos, capacitando os estudantes de graduação para a criação de novos negócios de base tecnológica.
A cerimônia de assinatura do convênio contou com a participação do diretor da Escola Politécnica da USP, Prof. José Roberto Castilho Piqueira, do ex-diretor da Poli-USP e diretor executivo da Fundação de Apoio à USP (FUSP), Prof. José Roberto Cardoso, da diretora da FGV-SP, Profa. Maria Tereza Leme Fleury, do presidente da Comissão de Pós-graduação e vice-chefe do Departamento de Engenharia de Produção da Poli-USP, Prof. Fernando José Barbin Laurindo, e dos professores envolvidos na criação do convênio: Eduardo Zancul (Poli-USP), André Leme Fleury (Poli-USP), Tales Andreassi, professor e vice-diretor da Escola de Administração de Empresas da FGV-SP.
Sobre a disciplina, o professor André Leme Fleury comentou que desde o início de sua carreira como professor, na experiência do convênio entre a Poli e a FAU, acredita nestas iniciativas. “Desde aquele momento eu achei essa uma das iniciativas mais louváveis que a gente poderia fazer em termos de modernização dos processos de ensino dentro da USP. Temos evoluído bastante essas ideias, na participação da disciplina de desenvolvimento integrado de produtos, que é uma disciplina que mistura alunos de toda a USP, e hoje é uma grande satisfação participar da assinatura deste primeiro convênio de uma disciplina que não só é inter-USP, mas é extra-USP, ou seja, também envolve a FGV e expande um pouco mais os nossos espaços e possibilita que os nossos alunos interajam com outros alunos juntos num contexto de empreendedorismo, que é um contexto que eu acredito muito”.
O professor Fernando José Barbin Laurindo ressaltou em sua fala a visão pluralista do conhecimento do Departamento de Engenharia de Produção da Poli-USP, que tem como essência buscar ferramentas para conduzir os alunos em sua jornada na formação como engenheiro de produção, sempre em sintonia com as mudanças que vão acontecendo nos vários processos produtivos. “A ideia de fazer uma parceria com uma instituição igualmente renomada como a FGV me parece promissora. Como presidente da Comissão de Pós-graduação, espero que possamos estender essa iniciativa para fazer disciplinas de pós-graduação, no nosso mestrado e doutorado. Espero que seja só um pontapé inicial de um jogo que seja muito emocionante em que, diferente do que acontece nos outros jogos, todos possam ganhar ”.
O professor Tales Andreassi comentou dados da AMBA (Association of MBAs) que, em 2010, 10% dos alunos de MBA queriam ser empreendedores, número que em 2014 passou para 28%. “Isso realmente mostra a importância das escolas oferecerem cursos e programas de empreendedorismo, e eu acho que essa iniciativa é muito interessante porque coloca junto pessoas com diferentes formações que podem gerar negócios de sucesso”.
O diretor da FUSP, prof. José Roberto Cardoso, contou que houve uma sincronia de ações que levaram a este evento. Passando pelo movimento da Escola Politécnica de mudar a sua estrutura curricular, que contemplou um elenco grande de disciplinas optativas nas quais o aluno poderia ter a iniciativa de fazer onde quisesse e como quisesse, até o contato com a diretora da FGV e o reitor do ITA, sobre a possibilidade de criar disciplinas em conjunto.
O diretor da Poli-USP, prof. José Roberto Castilho Piqueira, ressaltou o papel histórico da Escola em buscar o desenvolvimento tecnológico desde a sua fundação. “Esta Escola foi fundada por republicanos abolicionistas para que o desenvolvimento industrial do país pudesse se consolidar. Hoje, 120 anos depois, a nossa escola continua dando essa contribuição importante ao desenvolvimento tecnológico do país, principalmente neste momento. Não haverá progresso, não sairemos de uma situação economicamente difícil sem empreendedorismo e sem inovação. Portanto, este acordo que estamos assinando hoje transcende a FGV e a Escola Politécnica. Este é um acordo que é importante para cidade de São Paulo, para o Estado de São Paulo, e para o país, pois coloca trabalhando juntos gente com formação de humanas, com formação de exatas, para que a gente possa realmente ter progresso.”

Sobre a disciplina
O convênio envolve o oferecimento conjunto de uma nova disciplina optativa eletiva, denominada “Criação de Negócios Tecnológicos”. Nessa disciplina, alunos da Poli e da FGV trabalham em equipes mistas, formadas por alunos das duas instituições, para desenvolver soluções e modelos de negócios de empresas de tecnologia. As aulas ocorrem semanalmente na Poli e na FGV, de forma alternada, com a participação de professores de ambas instituições.
A disciplina está sendo oferecida em caráter piloto com cerca de 30 alunos. Os negócios em desenvolvimento pelos alunos envolvem, por exemplo, uma solução de otimização para irrigação, uma solução para monitoramento remoto de saúde de pacientes e o desenho de uma proposta de modelo de negócios para viabilizar a comercialização de uma patente de novo material já desenvolvido pela USP. Os alunos da Poli-USP poderão se inscrever na disciplina 0303212 – Criação de Negócios Tecnológicos por meio do sistema Júpiter.

Texto elaborado pela Assessoria de Imprensa da Poli-USP (link original: clique aqui

Reportagem sobre o tema publicada no site da Folha de São Paulo: clique aqui