PRO na Mídia: Modelos matemáticos ajudam a resolver problemas logísticos de empresas

O Jornal da USP publicou uma reportagem sobre dois trabalhos de formatura desenvolvidos por alunos de graduação do PRO e orientados pela Profa. Dra. Débora Ronconi, que também é pesquisadora do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI). Para ler o texto completo, clique aqui.


A matemática está presente na rotina de qualquer tipo de empresa. Seja na simples conta do troco do cliente ou em cálculos mais complexos, como a criação de modelos avançados para problemas específicos, a matemática aparece com frequência e pode ajudar – e muito – as organizações.

Na Escola Politécnica (Poli) da USP, dois Trabalhos de Conclusão de Curso orientados pela professora Débora Ronconi, pesquisadora do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), representam muito bem essa colaboração da matemática no dia a dia das empresas. Para finalizar o curso de Engenharia de Produção, os alunos Rodrigo Redenschi e Fellipe Marcellino decidiram estudar problemas reais de instituições completamente diferentes.

Redenschi trabalhou com uma grande empresa brasileira do setor de transportes. “A empresa realiza, mensalmente, mais de 300 rotas de transporte. Para cada uma dessas rotas, é necessário decidir qual é a melhor fornecedora a ser contratada, e essa decisão leva em conta diversos fatores – custo, qualidade, capacidade de transporte e demanda”, explica.

A solução encontrada por ele foi criar um modelo matemático que leva todas essas variáveis em consideração e, em dois minutos, determina a solução ótima – ou seja, a melhor possível – e que atende a todas as restrições impostas. “A empresa ficou muito satisfeita com os resultados do trabalho e, inclusive, pediu auxílio para testar novos cenários e implementar novas funcionalidades no modelo”, comemora.

Crescimento rápido – e planejado

O ramo de entregas em domicílio de alimentos saudáveis congelados é a área de atuação da startup Liv Up, empresa formada por ex-alunos da Poli que contou com a ajuda de Fellipe Marcellino para resolver um problema de logística. “A Liv Up está em uma fase de crescimento acelerado e precisa escalar suas operações para absorver o crescimento no número de clientes. Nesse contexto, a empresa elabora, todos os dias, um roteiro com a ordem das entregas de seus produtos aos clientes. Esse roteiro era feito manualmente e levava cerca de uma hora, além de ter problemas em relação a custo, nível de serviço e gestão”, conta.

Assim como Redenschi, Marcellino utilizou conceitos de pesquisa operacional para automatizar o processo. Ele desenvolveu uma ferramenta de roteirização das entregas que, além de reduzir os custos e aumentar o nível do serviço, facilitou a gestão e diminuiu para 15 minutos o tempo total do processo. “A ferramenta foi implantada na startup e a empresa ficou muito satisfeita com os resultados. Eles também ficaram impressionados com a facilidade da ferramenta em simular cenários para as tomadas de decisão”, relata.

Conhecimento prático

A professora Débora tem experiência nesses esforços de aproximar a sala de aula do mercado. Ela já orientou trabalhos que estudaram, por exemplo, problemas de empresas da área de produção de fraldas e de indústrias de cosméticos. “Através dessas experiências, os alunos vivenciam o retorno que a aplicação da teoria pode gerar no dia a dia das empresas, além de desenvolverem capacidades para adequá-las ao problema real”, salienta a professora.

Para os alunos, a aplicação da teoria é uma fase importante no processo de aprendizado. “Acredito que em cursos muito teóricos os alunos sentem dificuldade em enxergar aplicações práticas da teoria, especialmente em disciplinas da área de exatas. É muito importante utilizar o conhecimento adquirido para resolver problemas reais e entender a importância de uma base teórica no mercado de trabalho”, opina Marcellino. “É muito gratificante poder aplicar, na prática, teorias aprendidas em sala de aula e perceber que elas agregam um imenso valor para qualquer empresa, seja ela grande ou pequena”, corrobora Redenschi.

Leonardo Zacarin / Comunicação CeMEAI